Dieta Hiperglucídica
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Em todos os esforços de longa duração é muito importante que à partida os músculos estejam carregados de glicogénio.

A quantidade de glicogénio nos músculos depende de três factores:

  A alimentação que o atleta fez nos dias antecedentes à prova.

  O tipo de treino que o atleta fez nos dias antecedentes à prova.

  O tipo de treino que o atleta desenvolveu nos anos antecedentes.

Desde os anos sessenta que são dados conselhos sobre a dieta a seguir pelos atletas, de modo a haver uma máxima concentração de glicogénio nos músculos: seis dias de dieta especial, os três primeiros dias de dieta hipoglucídica e os três últimos de dieta HIPERGLUCÍDICA. Os três dias de dieta hipoglucídica, não poderiam conter qualquer tipo de açúcar ou amido, eram dias bastante duros para os atletas que a faziam, não se deveriam comer massas, arroz, pão, batatas, marmelada, fruta, açúcar etc...

Pessoalmente, utilizei este tipo de dieta em 14 das 19 maratonas que corri, mas de um modo ainda mais apertado, pois começava a dieta logo no domingo de manhã a seguir ao treino longo e executava a dieta até ao mínimo pormenor. Até quarta feira ( 4 dias de hipoglucídica ) sentia um pouco de cansaço, mas nada de anormal, até sábado ( 3 dias de HIPERGLUCÍDICA ) completa recuperação a nível de energia e força e lá estava no domingo de manhã com as reservas de glicogénio no máximo.

Posso afirmar por experiência própria que este tipo de dieta foi muito proveitosa a partir dos 30 km e que tirei muitos benefícios dela, que o digam as dezenas de atletas que eu passava dos 30 aos 42 km.

Não é conveniente experimentar este tipo de dieta pela primeira vez numa competição importante, pois o organismo pode não reagir da melhor maneira e adeus competição. Aconselho a quarta semana de uma planificação de oito semanas para a maratona.

Em estudos posteriores, concluiu-se que num atleta bem treinado, não eram necessários tantos dias de dieta. Aquando das primeiras investigações, mesmo para os atletas de nível superior, a concentração de glicogénio nos músculos era na ordem 1,5/2 g por cada 100 g de músculo. Hoje em dia, verifica-se que nos atletas bem treinados, principalmente nos maratonistas, a concentração normal de glicogénio nos músculos anda à volta de 3,5 g. por 100 g de músculo. Este estudo permite concluir que podemos obter níveis de glicogénio elevados, exigíveis para a realização de uma prova de longa duração, apenas em três dias de dieta HIPERGLUCÍDICA, eventualmente com um único dia de dieta hipoglucídica, a anteceder estes três dias, o que é uma grande vantagem quer do ponto de vista prático quer psicológico para o atleta.

Uma das grandes desvantagens deste tipo de dieta reflecte-se sobretudo no sistema nervoso, uma vez que três dias de dieta hipoglucídica provocam uma baixa concentração de glucose no sangue, que por sua vez tem efeitos prejudiciais no sistema nervoso do atleta. Acontecia frequentemente que após essa dieta alguns atletas entravam em depressão, o que tornava muito difícil os treinos nesses três dias porque os mesmos viam-se obrigados a fazer um esforço excessivo relativamente à sua concentração de açúcar no sangue.